• sliderock2

Lactato e Hipertrofia Muscular

Durante muito tempo o lactato foi tido como algo ruim, que além de causar uma queimação elevada, ainda por cima era altamente prejudicial ao sistema muscular. Porém este cenário veio e ainda vem sofrendo mudanças. Hoje se sabe que lactato é antes de qualquer coisa, uma resposta que está indicando inúmeras variáveis importantes para o treinamento de força.
Mas antes de especificar um pouco sobre este tema, é necessário conhecer um pouco mais desta substância.

Lactato, o que é e como é liberado?

O lactato foi descoberto no ano de 1780, quando este foi isolado do soro do leite azedo, por isso o nome lático, do latim “lac” que significa leite. Logo após a sua descoberta ele foi associado à fadiga muscular. Tal associação foi feita por sua presença estar supostamente aumentada durante os exercícios de alta intensidade ou exercícios anaeróbios, ou seja, em condições de hipóxia (baixo teor de oxigênio) ou isquemia (falta de suprimento sanguíneo).

Nosso corpo tem diversas maneiras de obter energia e cada uma delas depende principalmente do fator de qual é a demanda energética para o momento. Neste sentido, Books (2001) afirma que:

“A demanda energética é quem vai determinar realmente a necessidade de energia para a realização da contração muscular. Em exercícios de alta intensidade, como a musculação, a necessidade de energia aumenta, incrementando assim a velocidade da glicólise (quebra das reservas de glicogênio em glicose),assim é formada grande quantidade de piruvato (produto final da queima de glicose). Dependendo da capacidade das mitocôndrias de sustentar a demanda exigida, o piruvato segue para a mitocôndria, onde ele é degradado. A outra alternativa de destino do piruvato é a formação de ácido lático, caso a demanda seja maior que a oferta energética pela via mitocondrial, uma vez que o acúmulo de NADH+ diminui a velocidade da quebra da glicose”.

Ou seja, já temos a informação inicial de que o lactato é produzido quase que ininterruptamente pelo nosso organismo e o que de fato afeta o exercício e nos faz sentir aquela “queimação” característica é quando ele não é removido na mesma velocidade em que é produzido.
Dessa forma fica claro que de maneira alguma a queimação produzida pela maior concentração de lactato é algo ruim ou ainda lesivo. Como as absorções do piruvato e do lactato se dão primordialmente pelas mitocôndrias, que são a parte da célula responsável pelo metabolismo aeróbico, assim que uma quantidade suficiente de oxigênio é absorvida. Ou seja, depois daquela sua série altamente intensa, quando você sente a queimação do lactato, é somente depois, quando você para e volta a ter predominância do metabolismo aeróbico, que ele é de fato retirado.
Durante muito tempo se acreditou que as dores tardias causadas pela musculação ou qualquer outra prática mais intensa eram decorrentes da ação do lactato. Hoje se tem comprovação de que isso é causado pelas microlesões induzidas pelo esforço, até por que o excesso de ácido lático é totalmente removido cerca de duas horas após o final da atividade.
Lactato e hipertrofia muscular, aplicação prática

O ácido lático só é produzido em um sistema, o anaeróbico lático, que se caracteriza por ser o sistema em que usamos predominantemente o glicogênio como fonte energética. Depois de certo tempo de prática é que temos de fato a ação deste sistema, já que os movimentos em alta intensidade iniciais são suportados pelo sistema da creatina fosfato. A aplicação disto para a hipertrofia muscular é simples, já que em séries muito curtas, você terá apenas a ação da creatina fosfato e assim não ocorrerá nem a ação do lactato e nem uma alta incidência de microlesões. Por isso, o sistema anaeróbico lático é o que deve ser buscado por praticantes de musculação que buscam a hipertrofia muscular. Se não fosse assim, bastaria usar uma carga elevada e poucas repetições.
Não existe uma fórmula para isso, mas series com menos de 5 repetições, ficam com menos de 10 segundos de execução e tem grande predominância do sistema da creatina fosfato. Por isso suas séries precisam de mais de 5 repetições, ou seja, até a falha muscular (saiba mais sobre esse método em: "A percepção do esforço na realização das séries"), tendo como base, mais de 10 segundos de execução da série.
Por isso não deixe de atentar para o tempo de cada uma de suas séries e principalmente para o fato de sentir a conhecida “ardência” do lactato. Caso ela esteja acontecendo, é resultado de seu treinamento. Caso não esteja, procure aumentar a intensidade ou melhorar a execução. Bons treinos!

Entre em contato

Entre em contato pelo (51) 99668.3253

contato@rocksantos.com.br 

 facebook-icon

Gostou? Compartilhe o site!